16 outubro 2012

Um, dois e “tlês”





ADRIANA CALCANHOTTO – PARTIMPIM TLÊS, 2012.

Um, dois e “tlês”... Adriana Partimpim volta com mais um álbum voltado para o público infantil. E nada melhor do que lançar um CD infantil nos mês das crianças, simplesmente é uma ótima dica de presente.
Ao analisarmos a capa do álbum já notamos o quanto o alter-ego Adriana Partimpim tomou uma forma própria e mais distinta da Adriana Calcanhotto. O que é um ponto positivo, pois notamos o quanto Partimpim é dedicada ao som infantil e como aparece na foto da capa do CD, em sua encarnação atual, como boneca deixa o álbum mais leve.
A sonoridade do álbum é simplesmente maravilhosa! “Tlês” carrega a mesma sofisticação musical e poética de seus antecessores. Na superfície de suas 11 faixas, um apelo direto aos pequenos, sensorial, em seus arranjos lúdicos. As crianças irão desvendar uma camada, uma palavra estranha aqui ou um timbre inesperado ali e também a curiosidade, o comichão de entender o porquê daquele som, daquele verso indo mais fundo.
Para os mais velhos perceberão o diálogo sagaz entre as versões de Partimpim e as originais de Chico Buarque ou Jorge Ben Jor ou Dorival Caymmi. E assim, camada a camada, se penetra até chegar a leves reflexões filosóficas para todas as idades – sobre a vida, sobre a infância e sobre a música brasileira, sua tradição e como Partimpim, brincando, entra aí.
Destaque para as canções “Taj Mahal” que evoca no sintetizador com timbres retrô um passado futurista que nos lança nas mil e uma noites de Ben Jor. “Lindo Lago do Amor”, de Gonzaguinha, é a primeira das muitas canções com bichos do disco, introduzindo uma atmosfera de fábula que atravessa o álbum. Timbres aquáticos mágicos – ouça e entenda. “Por Que os Peixes Falam Francês?”, de Alberto Continentino e Domenico, trafega na mesma seara mágica-aquática de “Lindo Lago do Amor”, mas de forma mais etérea, com sintetizadores flutuantes, cantos de baleia e desentupidores. E “Acalanto” de Caymmi que fecha o disco. A música que Dorival fez para ninar Nana, afirma-se por sua doçura e por sua força de canção de ninar definitiva da música brasileira – por Caymmi, por Nana, pela proximidade com o terreno atemporal do folclore de “Boi da cara preta”.
Barulhos inclassificáveis à parte, esse é talvez o disco em que Partimpim mais se aproxima de uma sonoridade do pop contemporâneo. E então preparado para entrar no mundo de Partimpim e voltar a ser criança?

01. Salada Russa
02 Taj Mahal
03 Lindo Lago Do Amor
04 O Pato
05 Criança, Crionça
06 Porque Os Peixes Falam Francês?
07 Passaredo
08 De Onde Vem O Baião?
09 Tia Nastácia
10 Também Vocês 
11 Acalanto


TEXTO: BRUNO SILVA

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